segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Palpiteiros

Além das dificuldades e descobertas que os pais vivenciam diariamente, também somos obrigados a lidar com os palpiteiros.

A verdade é, ninguém é perfeito. Ninguém foi ou será uma mãe ou pai perfeito. Ninguém será 100% em tudo o que faz...e tudo bem. O problema é que quando se trata de palpitar, as pessoas vestem suas fantasias de "Perfeição" e começam a despejar em você toda aquela opinião não solicitada.

Meu filho começou a ir pra creche com 1 ano e 2 meses, quando ele nasceu, eu dizia que ficaria com o meu filho em casa até no mínimo 2 anos, não era a favor da creche, não sabia exatamente o porque, acho que tinha medo de ver meu filho crescendo e perder todos aqueles marcos. Mas ai os meses foram passando, o cansaço foi aumentando. Meu filho, até os 6 meses, chorava muito, muito mesmo, então havia um cansaço psicológico muito grande com o qual eu tinha que lidar diariamente. Depois dos 6 meses e a descoberta da APLV, ele passou a chorar muito menos, mas ai, começou também a demandar mais, queria atenção, brincar, já não dormia mais de 15 horas por dia como um recém-nascido normalmente dorme. E aí, o cansaço, que antes era mais psicológico, passou a se tornar mais físico. Principalmente porque o Gabriel nunca dormiu bem a noite, então todo o cansaço que eu acumulava ao longo do dia, se mantinha porque eu não conseguia descansar um pouco melhor durante a noite.

Enfim, mesmo com todo o desgaste, eu ainda mantinha a minha decisão de mantê-lo em casa o máximo possível, trabalhava por conta e conseguia administrar meus horários numa boa. Mas, depois de acontecer um terrível acidente entre nosso bebê e o nosso cachorro, tudo mudou. A rotina e a correria ficaram muito piores. E aí, tive que repensar, abrir a mente e aceitar a creche. Logo de início, já tive que lidar com opiniões não solicitadas. "Como assim, creche? Ele é muito pequeno" / "Nossa, tem que ter muita coragem pra deixá-lo lá sem saber o que fazem com ele ao longo do dia". Enfim, uma série de comentários que não agregavam absolutamente nada. A única coisa que eu pensava era que eu já tinha problemas o suficiente, dormia no máximo 2 horas seguidas por noite, não precisava ouvir tudo aquilo. Nenhuma mãe precisa.

Hoje, ele está na creche há praticamente 6 meses e sim, mesmo depois de todo esse tempo, eu ainda ouço um monte de mimimimi em relação a ele estar lá. Depois que viramos mãe, pai, o que quer que seja...descobrimos o quão rápidas as pessoas são em te julgar, apontar o dedo, dizer o quanto sua decisão está errada, mas raramente vejo o mesmo esforço em elogiar. Em dizer "Poxa, que mãe foda vc é, imagino que seja difícil ter optado por colocar seu filho tão pequeno na escola, parabéns pela força"...

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Desânimo

A noite de ontem foi tensa, na verdade, a maioria é. Filho dormiu as 20h, acordou aos berros as 21:30 e choramingou o resto da noite. E aí você fica se perguntando o porquê. Se é porque está ficando doente novamente, se foram gases do omelete que comeu antes do dormir. Ou se é apenas o universo sendo o universo. 

Acordei naquele humor básico de quem não dormiu mais do que 2 horas seguidas. E aí pra ajudar mais, meu filho acordou irritado também, só queria ficar no colo, não conseguia trocar a fralda e nem a roupa sem a sinfonia daquele choro estridente. Dor? Universo? Não sei, nunca sei. 

E agora está na hora de ir buscá-lo na escola, e confesso que sinto aquele desânimo porque ele provavelmente vai chorar como hoje de manhã, e da aquela vontade de fugir. 

Ultimamente, ele tem escolhido muito o colo do pai, e preferido o dele ao meu. E aí me pergunto o porque. Se as vezes ele lê meu pensamento, se ele sente que as vezes quero sair correndo pra nunca mais voltar. 

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Rede de apoio

O que mais senti falta, depois que virei mãe, foi de uma rede de apoio.

Na verdade, eu tive uma rede de apoio, não vou ser ingrata e dizer que ela não existiu. Minha mãe foi a que mais ajudou cuidando do meu filho pra que eu pudesse trabalhar.

Porém, quando falo em rede de apoio, me refiro aquela em que você se sente acolhido psicologicamente. É estar em um ambiente em que as pessoas realmente entendem - ou tentam entender - o que você está passando. Por inúmeras vezes me abri, reclamei, e fui julgada. Fui mal interpretada. Fui questionada. Inclusive pelo meu marido, que por ser alguém muito mais presente, deveria entender um pouco melhor a realidade, mas não foi o que aconteceu muitas vezes.

Vejam bem, não me julgo a melhor mãe do muito, bem longe disso, pra ser sincera. Perco a paciência quase sempre, porque só quem vive com a privação de sono, sabe o quando é desesperador ver a hora passando e se dar conta de que você, mesmo exausto, não dormiu ainda e talvez nem durma, ou, ter a certeza de que não dormirá mais do que 2 horas em uma noite inteira, embora saiba que seu corpo precise de, pelo menos, 8. Mas, voltando a paciência, sim, eu a perco muitas vezes, já me peguei dando broncas no meu filho ao longo da madrugada, mesmo ciente de que não é culpa dele acordar 10x em uma noite. E o mais difícil nisso tudo, é não ter aquele abraço cheio de empatia, porque sim, você já sabe o quanto errou naquela bronca, e as vezes só precisa ouvir alguém dizer que ficará tudo bem e que tudo dará certo e que não, você não é um monstro.

As pessoas - eu inclusive, focam muito mais suas energias em apontar defeitos e em fazer mais cobranças. Quantas vezes escutei "mas você esqueceu disso novamente?", sendo que o que eu merecia ouvir era um "nossa, você se lembrou de 900 coisas, super normal ter esquecido pelo menos uma", mas o reconhecimento raramente aparece principalmente na maternidade, em que se carrega o "Ser mãe é isso mesmo, não sabia?". E arrisco dizer que esse possivelmente é um dos maiores motivos pelo qual mães se sentem tão frustradas ao longo dos meses e anos que se seguem pós parto. Porque há muita expectativa e cobrança, e pouca empatia e carinho.

Enfim, espero muito que isso mude ao longo dos anos, porque não há injustiça maior do que a maternidade "solitária".

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

As madrugadas

E aí já são 1:27 da manhã e você faz um apanhado das últimas horas.

Seu filho dormiu as 19.20, aí você, esgotado, deitou as 20:20, embora quisesse ver um filme ou mexer no computador, ou qualquer outra coisa, mas foi vencido pelo sono... mas as 21:45 já teve que acordar, porque ele queria que você acordasse, e as 22:45 também, mas dessa vez chorou e vomitou. Vômitos já viraram algo normal das madrugadas. Só consegui dormir de novo lá pelas 23:10, mas sim, ele me quis acordada de novo as 00h, e mais umas vez as 01:15.
E agora já são 01:30 e eu estou aqui, sem nenhuma perspectiva de dormir mais do que 40 minutos essa noite, e mais do que isso, sem nenhuma perspectiva de vida. Porque toda vez que há um mínimo de chance das coisas melhorarem, é como se alguém enfiasse a mão ali e bagunçasse tudo outra vez.

É realmente enlouquecedor. Espero que você nunca tenha que descobrir o quão horrível é ter seus olhos arderem de sono, mas não poder dormir.

E vamos ver até onde é possível sobreviver assim. Uma pena, realmente uma pena que a maternidade tenha que ser desse jeito.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Injusto

Há 1 ano e 4 meses eu vivo um teste de sanidade a cada madrugada que se aproxima. Desde que meu filho nasceu, não teve um único dia sequer em que puder deitar tranquila, porque aqui as madrugadas sempre foram intensas, com direito a gritos de choro, vômitos, inquietação, etc etc etc. Só eu sei o quanto estive a beira da loucura um milhão de vezes.

E o mais triste nisso tudo, é você tentar um monte de soluções, e nada parecer funcionar. Tudo o que você quer é uma única noite silenciosa e tranquila, mas a cada dia que passa, isso parece se tornar cada vez mais distante do seu alcance.

E aí, ao invés de esperança com o passar dos dias, tudo o que se instala é um pânico. Um pânico do entardecer e da madrugada iminente, em que nunca se sabe se vai acordar 2 ou 30 vezes, e em quantas dessas vezes haverá gritos, engasgos por conta do choro, gases, vômitos... Porque aqui é assim, se não é uma coisa, é sempre outra. Nunca há paz, nunca há trégua.

E o pior é que no meio de mais de 365 noites sem dormir mais do que 2 horas seguidas, existe a cobrança. A cobrança da vida, do trabalho, do relacionamento. Mas a pergunta que fica é, como? Como se manter são diante de algo assim?

Vi um vídeo de uma moça que teve uma noite como a minha uma única vez na semana, e disse que tem uma empatia imensa por quem vive isso constantemente, porque a verdade é que diante de uma situação dessas, não há como ter vida, e cores, alegria. Só há o existir. Apenas existir. Triste realidade, né?

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Sociedade

Hoje vim aqui pra uma reflexão...do quanto a nossa sociedade é impiedosa com as mulheres, principalmente quando elas se tornam mães.

Eu trabalho em casa, sou professora de Inglês e dou aulas online, e ao longo do dia, no condomínio onde moro, sempre escuto mães gritando com algum filho, que mexeu onde não devia, ou que não param de chorar, ou que querem sair pra brincar e o tempo não está bom pra isso. E o eco é sempre a voz de uma mulher, de uma mãe, nunca ouvi um pai gritar. Mas isso não é porque os pais tem mais paciência, e sim porque eles estão no trabalho, enquanto as mães estão em casa. Sim, provavelmente foi opção delas largar o trabalho pra cuidar dos filhos, ou então, já estavam desempregadas quando engravidaram e assim resolveram continuar seguindo.

E aí comecei a pensar na cobrança que existe em cima das mães, pra que elas larguem o emprego, ou que deem conta de faltar 900x se for preciso, porque o filho vai ficar doente, vai ter consultas ou vai ter problemas de adaptação na escola e não tem como simplesmente largar a criança lá chorando sem parar. Enfim, um zilhão de motivos diferentes. Agora, quem vê pais largando o trabalho e abrindo mão da profissão? Ou então faltando ao trabalho descontroladamente pra cuidar dos filhos? Pois é.

A culpa, na verdade, não é dos homens em si, mas da sociedade em que vivemos. Em que mães, na verdade, tem que sofrer, tem que abrir mão do trabalho, do tempo livre, de quem elas são. E se você não fizer isso, se você esboçar qualquer tipo de reação negativa em relação a esse sistema, todos irão apontar o dedo pra você e fazer questão de enaltecer o quão péssima você é como ser humano. E ao mesmo tempo que cobram essa completa anulação de uma mãe como ser humano, também é cobrado a perfeição. Sim, as mães tem que sorrir, tem que amar, tem que ter paciência. Não é aceito que uma mãe fique mal pela privação de sono, não é aceito que uma mãe chore. Porque mães precisam ser perfeitas.

As coisas tem mudado em passos de tartaruga, é possível ver alguns pais abrindo mão da liberdade também e etc por conta dos filhos, mas, infelizmente, estatisticamente ainda em quantidade absurdamente inferior comparado as mulheres. É uma pena que seja assim, fico muito triste de ouvir o eco de uma mãe, que com certeza está apenas cansada, de saco cheio, querendo 5 minutos de silêncio sem que alguém diga pra ela o quão horrível ela é por querer "se livrar do filho pra ficar sozinha em casa".

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Me perdi

Hoje vim falar sobre como me perdi na maternidade e até hoje não me reencontrei. A sensação é que quem eu era morreu e renasceu mas, um alguém estranho, porém familiar. Igual a quem vc era mas ao mesmo tempo, um alguém completamente novo. É como se seu antigo "eu" tivesse virado um alter ego perdido em algum lugar dentro do seu inconsciente.

A verdade é que me perdi, sim, e mais do que ter me perdido, foi ter descoberto que a maternidade não é tão mágica quanto as pessoas e filmes mostram. A maternidade pode ser dura, pode te mostrar um lado seu que vc nunca achou que poderia existir, e esse lado pode ser bem assustador. Pra mim, a maternidade foi árdua e um tanto quanto impiedosa em determinados momentos, porque vivi e senti a morte muito de perto, mais do que uma vez. Eu tive medo de morrer, eu tive medo que meu filho morresse, ah o medo, ele virou meu sobrenome...e ninguém tinha dito que a maternidade seria isso. Maternidade é magia, eles disseram. É você amar seu filho desde sempre, sentir uma conexão quase que imediata. Mas ninguém disse que não era bem assim. Ninguém disse que poderia haver tristeza na maternidade. E solidão. Um túnel tão, mas tão escuro. E a sensação de estar sozinha dentro dele, sem saber pra onde ir, sem poder enxergar um palmo diante de seus olhos.

O mais triste de ter me perdido na maternidade, foi não ter tido ajuda pra me reencontrar. Mesmo cercada por pessoas, só quem está dentro desse túnel sabe da incompreensão que existe naqueles que te rodeiam. E mesmo onde deveria haver empatia, haverá novamente, a solidão, e a eterna sensação de que não há ninguém, além de você, naquele túnel escuro.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Auto controle

Ao longo da minha vida, sempre fui até que bem paciente. Na verdade, acho que eu sempre fui muito boa em esconder o que pensava e em ter auto controle, e para os outros, isso se chama ter paciência.

Mas depois que virei mãe, notei que tudo ficou muito mais a flor da pele...não tenho a mesma tolerância que eu tinha, as vezes até coisas bobas acabam virando avalanches catastróficas.

Desde que meu filho nasceu, ele sempre chorou muito, muito mesmo. Os primeiros 6 meses de vida dele, foram em meio a choros constantes. Lembro que, quando ainda era Recém Nascido, o pouco tempo que ficava acordado, era chorando. E a coisa tinha atingido um nível tão hard que eu queria que ele dormisse o tempo todo, porque parecia ser a única maneira de não vê-lo sofrendo. E esse tipo de pensamento me deixava super pra baixo, porque tinha outras amigas recém mães também que compartilhavam fotos e videos curtindo os seus bebês, e eu nunca conseguia isso, porque meu filho estava sempre incomodado e chorando. E aí misturava a exaustão com aquele choro constante e meu auto controle ia por água abaixo, várias vezes eu desabava e chorava e sofria junto.

O maior problema em ser mãe está nas expectativas que são colocadas em nós. Mães tem que sofrer e não podem reclamar...sem contar que, todo mundo age como se ser mãe fosse instintivo. Mãe sempre sabe como agir e lidar com os perrengues, o filho nasce e a mãe já o ama perdidamente, como uma magia inexplicável do mundo Disney. Mas só quem vive a maternidade mesmo, e principalmente, quem vive a maternidade de uma maneira mais difícil, sabe que na prática, as coisas não são bem assim.
Só eu lembro do primeiro dia com o meu filho em casa após os 26 dias de UTIneo. Na UTI, sempre tinham enfermeiras pra todos os lados, qualquer dúvida ou choro um pouco mais estranho, era só gritar por alguém e tudo estava resolvido. Mas em casa não tinha isso, em casa era pra valer, a porta se fechou e junto veio aquele desespero de "E agora, por onde eu começo?". Mas é, todos esperam que esse momento seja magia pura, que assim como havia aquela conexão entre o filho e a mãe dentro da barriga, ela existirá fora também e eles se comunicarão quase que telepaticamente e, a mãe saberá exatamente o que fazer.
Mas enfim, falei tudo isso pra dizer que os choros faziam, e ainda fazem, com que eu perca o controle, simplesmente porque você entra num "modo desespero" em que não sabe o que faz. Você conversa com o bebê, nada, faz massagem, nada, liga o desenho, nada, acende a luz, nada, apaga a luz, nada, e aí o que resta? Perder o controle e chorar junto. Essa definitivamente será uma fase da qual não sentirei falta. Não vejo a hora do meu filho poder se expressar claramente pra poder dizer o que sente, onde dói, se é que doi algo. Porque ter que adivinhar o que está acontecendo, e nunca ter certeza de nada, definitivamente é horrível. Principalmente quando são 3 horas da manhã, você está exausto porque já não dorme mais do que 2 horas seguidas há mais de 1 ano e está ali sentada com o seu filho berrando na sua orelha sem saber o que fazer. Mas não, mães não podem surtar. Mães são seres mágicos, quase robóticas e precisam sempre tolerar qualquer momento de estresse como uma diva.

Mas enfim, a maternidade é isso, é culpa, é frustração, é vontade de se jogar da janela, de fugir e, acordar no dia seguinte sentindo-se fraca por ter tido esses pensamentos, e então, olhar pra carinha do seu filho sentado sorrindo e ver tudo aquilo de ruim ir embora como se o vento soprasse pra longe...pra dali umas horas, tudo começar novamente.


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Bebês são máquinas de fazer dinheiro

Bom dia!

Sim, voltei em menos de 24 horas, primeiramente pra dizer que sobrevivi a mais uma noite e também pra mais textão.

Antes de finalmente ter um filho, eu já sabia que filhos custam caro. Todo mundo faz questão de te lembrar isso o tempo todo. Mas entre saber e viver isso, há uma diferença gigantesca.

Ainda bem que o Gabriel tem avós (maternos e paternos) que sempre procuraram ajudar muito, porque sim, bebê sai caro demais. É muita fralda...as vezes você troca uma e pensa: "Opa, ok, está limpinho por umas 4 horas", mas dali 5 minutos, vem um barrão gigantesco e você é obrigado a fazer uma nova troca. E ao longo do dia, a cada troca de fraldas, eu só vou ouvindo o barulho da caixa registradora na cabeça (Ka-ching), mas sim, faz parte, mas isso não quer dizer que não doa lá no fundo as vezes, rs.

Mas enfim, apesar disso tudo ser caro, sabemos que são necessidades básicas e que não tem como ignorá-las. Não tem como deixar o bebê sujo, sem comida, sem roupas e etc, certo? Poréééém, no mundo dos bebês, o buraco é bem mais embaixo e as pessoas perdem o controle sobre o que realmente precisam e o que é exagero.

Acho que há tantos pais ansiosos e vislumbrados que acham que precisam comprar o mundo pro filho, que o mercado resolveu exagerar e muito. Outro dia, vi a venda um pano pra cobrir bebê conforto, sério, sem brincadeira, era um PANO. Mas, o lojista da um nome gourmet a mercadoria, cobra 109 reais por ela (sem brincadeira) e vão lá os pais, e compram o mais rápido que puderem, porque nossa, é um pano pra cobrir o bebê conforto. Sendo que, gente, lençol já existe há 9483938985 de anos e também exerce essa mesma função e por um valor muito menos exorbitante. Mas, né?

Enfim, como contei no post de ontem, meu filho começou a ir pra creche há quase 2 meses. E, diferente da maioria dos pais, eu não fiquei nem um pouco feliz de receber a lista de materiais escolares. Não porque não queira investir na educação do meu filho e bla bla bla, mas meu filho tem 1 ano, e realmente não vejo necessidade em usar papel canson, tela de pintura (exigiram até o tamanho, mandei errado e devolveram), pasta polionda (o tamanho da pasta é maior que o meu filho). Achei tudo um tremendo de um exagero. Sem contar que, quando você opta pela escola X, te cobram a matricula, a mensalidade, uma taxa pra material (que eu achei que já iria incluir isso tudo) e depois disso tudo já e de você já estar pobre, ainda vem uma lista com uns 15 itens pra comprar. Quase chorei.

Mas enfim, comprei, né? Não ia questionar e começar um desserviço justamente com o local onde meu filho acaba passando a maior parte da semana. Mas sim, sou contra e não gostei. Em casa, improvisamos uma série de brinquedos justamente porque ele não se importa muito com coisas X e Y ainda, então nessa idade, procuramos não investir muito em coisas que nós achamos super legais, porque no fim, ele vai continuar preferindo apenas a tampa de um pote de plástico.

Mas tudo bem, afinal, nessa era "Nutella", há muito mais frescuras em relação a criação de uma criança, e ai de você se discordar, porque isso com certeza vai significar que você não da a minima pro desenvolvimento e qualidade de vida dos seus filhos. Mas a verdade é que eu e muitas outras pessoas, viemos de gerações em que não havia tantas bobagens assim, em que tudo era em meio a improvisação, sem gastar dinheiro. Mas hoje, num mundo capitalista, quanto mais for possível ganhar e tirar do bolso, melhor. As lojas que o digam...












domingo, 30 de junho de 2019

Quando a gente é mãe de primeira viagem, a gente pira muito no começo (principalmente quando o filho é prematuro). Nos primeiros meses, eu temia tudo, e mais do que isso, venerava os pediatras. 

Eu era bem daquelas mães tontas que adorava um pediatra bom de boca. Mas na maioria das vezes, era só isso que eles eram mesmo, muito bons de boca, nada mais. 

Eu sempre achei que médicos escolhiam a profissão por amor, até porque todo mundo sabe o quanto é difícil lidar com pessoas no geral, imagine então as doentes. E mais ainda, imagine cuidar de bebês. Que não falam, só choram. Mas ao passar por cerca de 987.450 de pediatras diferentes, já não tenho mais tanta certeza. Já passei por médicos exagerados na dose de carinho e outros que tinham aflição até mesmo de encostar na criança, como se ela fosse dar choque.

Mas o que mais me frustrei com a pediatra, foi a necessidade de um médico disponível em uma emergência. 

Passava meu filho numa clínica que tinha várias especialidades, e a pediatra principal de lá dizia que em caso de qualquer emergência, era só ligar lá que davam um jeito de encaixar uma consulta. Eis que um dia precisei, e tive meu pedido negado. Fiquei bem puta, com vontade de rasgar o verbo e criar o maior caso, aqueles 5 minutos de ódio que a gente tem vontade até de destruir a reputação da empresa, sabe? Mas, meu filho estava doente e eu tinha que focar na coisa certa. Então acabei levando ele no PS mesmo, o que também não serviu de nada, no fim das contas.

Mas é isso, a gravidez e a maternidade basicamente me ensinaram que a maioria dos médicos não servem pra quase nada e, que muita coisa vale mais a pena a gente seguir a intuição mesmo, porque acredite, seu filho vai adoecer um milhão de vezes e você vai levá-lo ao médico (muitas vezes influenciado por alguém que ficou enchendo o seu saco e não porque queria) e, o médico fala meia dúzia de bosta nenhuma e você volta pra casa pensando: "Cacete, desperdicei X horas da minha vida e mais uma grana razoável de estacionamento pra nada"...mas, aí você também vai acabar justificando que foi melhor pecar pelo excesso do que se arrepender depois. Mas sinceramente, não sei não se vale, viu?

sábado, 1 de junho de 2019

Saudações...

Olá mamães e papais (porque não?)

Faz muito tempo que venho pensando em abrir um blog sobre a maternidade, só quem é mãe sabe o quanto a maternidade é solitária, principalmente no início. Então, escrever em um blog pode acabar dando aquela sensação de que vc está falando sozinho mas ao mesmo tempo com várias pessoas, sabe? Então vamos lá, vamos ver até quando isso vai durar.

Sem contar que, ter um meio de extravasar deveria ser obrigatório pra todo mundo. Depois que virei mãe, passo por um milhão de sentimentos diferentes ao longo do mesmo dia, e não poder ou conseguir falar sobre isso de uma maneira clara, é horrível. Quantas vezes, ao longo desse 1 ano e 3 meses. 2 anos, na verdade (vamos incluir a gravidez nesse meio). Eu tentei conversar e expor meu sentimento que foi erroneamente interpretado pelas pessoas com quem eu me abria...então aqui, eu falo "sozinha", então acredito que essa sensação de desagrado não vá existir. Espero.

Mas enfim, vamos começar os textões. Porque sim, eu criei um blog pra escrever textão.

O começo dessa semana foi punk. Simplesmente porque a minha rotina tende a ser uma loucura quando meu filho está em casa (explicação do porquê em um outro post). E, junta isso com o fato de que estou doente há umas 3 semanas e parece que nada anda. Sim, estou doente a tudo isso de tempo e não, ainda não fui ao médico. Sempre vivo com aquela mínima esperança de que a natureza vai me curar. Mas voltando ao assunto. Meu filho ficou em casa na segunda e na terça e eu sozinha (com ajuda dos avós em alguns momentos), foi feriado na minha cidade e a creche emendou os dois dias (não gostei nem um pouco, mas tudo bem, todos merecem descanso). E foi dureza reversar os dias entre aulas, cachorro (meu cachorro não faz xixi/cocô dentro do apartamento, só faz quando o levamos na rua) e meu filho. Pra resumir o resultado dos dois dias insanos, a terça-feira encerrou com direito a freio de mão do carro esquecido abaixado (só descobri na quarta de manhã).

Mas hoje, quarta-feira, a paz voltou a reinar (nem tanto). Meu filho foi pra escola novamente e eu continuo aqui, semi-viva. E só agora, quase na hora de já ir buscá-lo na escola, resolvi escrever esse post.

E tenho que dizer pra vocês, acho que ando tão cansada pelos últimos 15 meses, que sinto uma leve tristeza de ver que já está próxima da hora de ir buscá-lo na creche. Acho que não pelo cansaço apenas, mas também por pensar que ainda vem uma noite inteira de possíveis loucuras e choradeiras por aí (meu filho dorme super mal em 95% das noites). E claro, eu me sinto super mal por me sentir "triste" ao ir buscá-lo, principalmente porque vejo amigas-mães que falam dos filhos com uma saudade absurda, que ficam míseras 3 horas longe dos filhos e dizem "Nossa, estou morrendo de saudade do meu bebê", e aí que não sei se sou algum tipo de ET ou, se é realmente o excesso de cansaço/sono/irritação que acaba desencadeando nesse modo "feelingless" de operar o dia a dia, porque eu não sinto essa saudade tremenda quando ele está longe. Muitas vezes sinto mais falta do meu tempo livre e do silêncio do que dele em si. Será que sou normal? Ou será que os outros que não são? Eis uma reflexão que vou deixar em aberto pros próximos dias.