quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Rede de apoio

O que mais senti falta, depois que virei mãe, foi de uma rede de apoio.

Na verdade, eu tive uma rede de apoio, não vou ser ingrata e dizer que ela não existiu. Minha mãe foi a que mais ajudou cuidando do meu filho pra que eu pudesse trabalhar.

Porém, quando falo em rede de apoio, me refiro aquela em que você se sente acolhido psicologicamente. É estar em um ambiente em que as pessoas realmente entendem - ou tentam entender - o que você está passando. Por inúmeras vezes me abri, reclamei, e fui julgada. Fui mal interpretada. Fui questionada. Inclusive pelo meu marido, que por ser alguém muito mais presente, deveria entender um pouco melhor a realidade, mas não foi o que aconteceu muitas vezes.

Vejam bem, não me julgo a melhor mãe do muito, bem longe disso, pra ser sincera. Perco a paciência quase sempre, porque só quem vive com a privação de sono, sabe o quando é desesperador ver a hora passando e se dar conta de que você, mesmo exausto, não dormiu ainda e talvez nem durma, ou, ter a certeza de que não dormirá mais do que 2 horas em uma noite inteira, embora saiba que seu corpo precise de, pelo menos, 8. Mas, voltando a paciência, sim, eu a perco muitas vezes, já me peguei dando broncas no meu filho ao longo da madrugada, mesmo ciente de que não é culpa dele acordar 10x em uma noite. E o mais difícil nisso tudo, é não ter aquele abraço cheio de empatia, porque sim, você já sabe o quanto errou naquela bronca, e as vezes só precisa ouvir alguém dizer que ficará tudo bem e que tudo dará certo e que não, você não é um monstro.

As pessoas - eu inclusive, focam muito mais suas energias em apontar defeitos e em fazer mais cobranças. Quantas vezes escutei "mas você esqueceu disso novamente?", sendo que o que eu merecia ouvir era um "nossa, você se lembrou de 900 coisas, super normal ter esquecido pelo menos uma", mas o reconhecimento raramente aparece principalmente na maternidade, em que se carrega o "Ser mãe é isso mesmo, não sabia?". E arrisco dizer que esse possivelmente é um dos maiores motivos pelo qual mães se sentem tão frustradas ao longo dos meses e anos que se seguem pós parto. Porque há muita expectativa e cobrança, e pouca empatia e carinho.

Enfim, espero muito que isso mude ao longo dos anos, porque não há injustiça maior do que a maternidade "solitária".