segunda-feira, 23 de setembro de 2019

As madrugadas

E aí já são 1:27 da manhã e você faz um apanhado das últimas horas.

Seu filho dormiu as 19.20, aí você, esgotado, deitou as 20:20, embora quisesse ver um filme ou mexer no computador, ou qualquer outra coisa, mas foi vencido pelo sono... mas as 21:45 já teve que acordar, porque ele queria que você acordasse, e as 22:45 também, mas dessa vez chorou e vomitou. Vômitos já viraram algo normal das madrugadas. Só consegui dormir de novo lá pelas 23:10, mas sim, ele me quis acordada de novo as 00h, e mais umas vez as 01:15.
E agora já são 01:30 e eu estou aqui, sem nenhuma perspectiva de dormir mais do que 40 minutos essa noite, e mais do que isso, sem nenhuma perspectiva de vida. Porque toda vez que há um mínimo de chance das coisas melhorarem, é como se alguém enfiasse a mão ali e bagunçasse tudo outra vez.

É realmente enlouquecedor. Espero que você nunca tenha que descobrir o quão horrível é ter seus olhos arderem de sono, mas não poder dormir.

E vamos ver até onde é possível sobreviver assim. Uma pena, realmente uma pena que a maternidade tenha que ser desse jeito.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Injusto

Há 1 ano e 4 meses eu vivo um teste de sanidade a cada madrugada que se aproxima. Desde que meu filho nasceu, não teve um único dia sequer em que puder deitar tranquila, porque aqui as madrugadas sempre foram intensas, com direito a gritos de choro, vômitos, inquietação, etc etc etc. Só eu sei o quanto estive a beira da loucura um milhão de vezes.

E o mais triste nisso tudo, é você tentar um monte de soluções, e nada parecer funcionar. Tudo o que você quer é uma única noite silenciosa e tranquila, mas a cada dia que passa, isso parece se tornar cada vez mais distante do seu alcance.

E aí, ao invés de esperança com o passar dos dias, tudo o que se instala é um pânico. Um pânico do entardecer e da madrugada iminente, em que nunca se sabe se vai acordar 2 ou 30 vezes, e em quantas dessas vezes haverá gritos, engasgos por conta do choro, gases, vômitos... Porque aqui é assim, se não é uma coisa, é sempre outra. Nunca há paz, nunca há trégua.

E o pior é que no meio de mais de 365 noites sem dormir mais do que 2 horas seguidas, existe a cobrança. A cobrança da vida, do trabalho, do relacionamento. Mas a pergunta que fica é, como? Como se manter são diante de algo assim?

Vi um vídeo de uma moça que teve uma noite como a minha uma única vez na semana, e disse que tem uma empatia imensa por quem vive isso constantemente, porque a verdade é que diante de uma situação dessas, não há como ter vida, e cores, alegria. Só há o existir. Apenas existir. Triste realidade, né?

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Sociedade

Hoje vim aqui pra uma reflexão...do quanto a nossa sociedade é impiedosa com as mulheres, principalmente quando elas se tornam mães.

Eu trabalho em casa, sou professora de Inglês e dou aulas online, e ao longo do dia, no condomínio onde moro, sempre escuto mães gritando com algum filho, que mexeu onde não devia, ou que não param de chorar, ou que querem sair pra brincar e o tempo não está bom pra isso. E o eco é sempre a voz de uma mulher, de uma mãe, nunca ouvi um pai gritar. Mas isso não é porque os pais tem mais paciência, e sim porque eles estão no trabalho, enquanto as mães estão em casa. Sim, provavelmente foi opção delas largar o trabalho pra cuidar dos filhos, ou então, já estavam desempregadas quando engravidaram e assim resolveram continuar seguindo.

E aí comecei a pensar na cobrança que existe em cima das mães, pra que elas larguem o emprego, ou que deem conta de faltar 900x se for preciso, porque o filho vai ficar doente, vai ter consultas ou vai ter problemas de adaptação na escola e não tem como simplesmente largar a criança lá chorando sem parar. Enfim, um zilhão de motivos diferentes. Agora, quem vê pais largando o trabalho e abrindo mão da profissão? Ou então faltando ao trabalho descontroladamente pra cuidar dos filhos? Pois é.

A culpa, na verdade, não é dos homens em si, mas da sociedade em que vivemos. Em que mães, na verdade, tem que sofrer, tem que abrir mão do trabalho, do tempo livre, de quem elas são. E se você não fizer isso, se você esboçar qualquer tipo de reação negativa em relação a esse sistema, todos irão apontar o dedo pra você e fazer questão de enaltecer o quão péssima você é como ser humano. E ao mesmo tempo que cobram essa completa anulação de uma mãe como ser humano, também é cobrado a perfeição. Sim, as mães tem que sorrir, tem que amar, tem que ter paciência. Não é aceito que uma mãe fique mal pela privação de sono, não é aceito que uma mãe chore. Porque mães precisam ser perfeitas.

As coisas tem mudado em passos de tartaruga, é possível ver alguns pais abrindo mão da liberdade também e etc por conta dos filhos, mas, infelizmente, estatisticamente ainda em quantidade absurdamente inferior comparado as mulheres. É uma pena que seja assim, fico muito triste de ouvir o eco de uma mãe, que com certeza está apenas cansada, de saco cheio, querendo 5 minutos de silêncio sem que alguém diga pra ela o quão horrível ela é por querer "se livrar do filho pra ficar sozinha em casa".

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Me perdi

Hoje vim falar sobre como me perdi na maternidade e até hoje não me reencontrei. A sensação é que quem eu era morreu e renasceu mas, um alguém estranho, porém familiar. Igual a quem vc era mas ao mesmo tempo, um alguém completamente novo. É como se seu antigo "eu" tivesse virado um alter ego perdido em algum lugar dentro do seu inconsciente.

A verdade é que me perdi, sim, e mais do que ter me perdido, foi ter descoberto que a maternidade não é tão mágica quanto as pessoas e filmes mostram. A maternidade pode ser dura, pode te mostrar um lado seu que vc nunca achou que poderia existir, e esse lado pode ser bem assustador. Pra mim, a maternidade foi árdua e um tanto quanto impiedosa em determinados momentos, porque vivi e senti a morte muito de perto, mais do que uma vez. Eu tive medo de morrer, eu tive medo que meu filho morresse, ah o medo, ele virou meu sobrenome...e ninguém tinha dito que a maternidade seria isso. Maternidade é magia, eles disseram. É você amar seu filho desde sempre, sentir uma conexão quase que imediata. Mas ninguém disse que não era bem assim. Ninguém disse que poderia haver tristeza na maternidade. E solidão. Um túnel tão, mas tão escuro. E a sensação de estar sozinha dentro dele, sem saber pra onde ir, sem poder enxergar um palmo diante de seus olhos.

O mais triste de ter me perdido na maternidade, foi não ter tido ajuda pra me reencontrar. Mesmo cercada por pessoas, só quem está dentro desse túnel sabe da incompreensão que existe naqueles que te rodeiam. E mesmo onde deveria haver empatia, haverá novamente, a solidão, e a eterna sensação de que não há ninguém, além de você, naquele túnel escuro.