segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Palpiteiros

Além das dificuldades e descobertas que os pais vivenciam diariamente, também somos obrigados a lidar com os palpiteiros.

A verdade é, ninguém é perfeito. Ninguém foi ou será uma mãe ou pai perfeito. Ninguém será 100% em tudo o que faz...e tudo bem. O problema é que quando se trata de palpitar, as pessoas vestem suas fantasias de "Perfeição" e começam a despejar em você toda aquela opinião não solicitada.

Meu filho começou a ir pra creche com 1 ano e 2 meses, quando ele nasceu, eu dizia que ficaria com o meu filho em casa até no mínimo 2 anos, não era a favor da creche, não sabia exatamente o porque, acho que tinha medo de ver meu filho crescendo e perder todos aqueles marcos. Mas ai os meses foram passando, o cansaço foi aumentando. Meu filho, até os 6 meses, chorava muito, muito mesmo, então havia um cansaço psicológico muito grande com o qual eu tinha que lidar diariamente. Depois dos 6 meses e a descoberta da APLV, ele passou a chorar muito menos, mas ai, começou também a demandar mais, queria atenção, brincar, já não dormia mais de 15 horas por dia como um recém-nascido normalmente dorme. E aí, o cansaço, que antes era mais psicológico, passou a se tornar mais físico. Principalmente porque o Gabriel nunca dormiu bem a noite, então todo o cansaço que eu acumulava ao longo do dia, se mantinha porque eu não conseguia descansar um pouco melhor durante a noite.

Enfim, mesmo com todo o desgaste, eu ainda mantinha a minha decisão de mantê-lo em casa o máximo possível, trabalhava por conta e conseguia administrar meus horários numa boa. Mas, depois de acontecer um terrível acidente entre nosso bebê e o nosso cachorro, tudo mudou. A rotina e a correria ficaram muito piores. E aí, tive que repensar, abrir a mente e aceitar a creche. Logo de início, já tive que lidar com opiniões não solicitadas. "Como assim, creche? Ele é muito pequeno" / "Nossa, tem que ter muita coragem pra deixá-lo lá sem saber o que fazem com ele ao longo do dia". Enfim, uma série de comentários que não agregavam absolutamente nada. A única coisa que eu pensava era que eu já tinha problemas o suficiente, dormia no máximo 2 horas seguidas por noite, não precisava ouvir tudo aquilo. Nenhuma mãe precisa.

Hoje, ele está na creche há praticamente 6 meses e sim, mesmo depois de todo esse tempo, eu ainda ouço um monte de mimimimi em relação a ele estar lá. Depois que viramos mãe, pai, o que quer que seja...descobrimos o quão rápidas as pessoas são em te julgar, apontar o dedo, dizer o quanto sua decisão está errada, mas raramente vejo o mesmo esforço em elogiar. Em dizer "Poxa, que mãe foda vc é, imagino que seja difícil ter optado por colocar seu filho tão pequeno na escola, parabéns pela força"...